Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXIX N.114 ABRIL 2022

Liberdade é o tema principal de Pessach, data que celebra o Êxodo do Egito. A história dessa festa, narrada na Hagadá, inspirou inúmeras pessoas ao longo das gerações a lutar pela liberdade e dignidade humanas. Durante o Seder celebramos milhares de anos de sobrevivência judaica, ainda que “em cada geração eles se levantam e tentam nos destruir”, como nos lembra, ano após ano, a Hagadá.

Ao longo dos milênios – inclusive em nossa geração – o antissemitismo tem-se manifestado de diversas formas. Nós, judeus, lutamos contra o ódio ao nosso povo desde a época em que fomos escravizados no Egito. Mas é importante enfatizar que não cabe apenas a nós lutar contra esse fenômeno. Como escreveu o Rabino Lorde Jonathan Sacks, ZT’L: “A vítima não pode curar o crime. O odiado não pode curar o ódio”.

No século 19, muitos judeus acreditavam que, por serem objeto de antissemitismo, cabia-lhes também ser a cura e que eles próprios poderiam erradicá-lo. “Eles nos odeiam porque somos diferentes, então deixemos de ser diferentes; eles cessarão de nos odiar”. Acreditavam que, abandonando sua identidade e religiosidade, seriam aceitos, acabando com o antissemitismo.

Vã ilusão. Quando e onde nosso povo ocultou ou até abandonou sua identidade e prática da religião, além de não ser aceito por membros de outras religiões, foi criticado e condenado por trair nossa fé. Além de não reduzir o antissemitismo, isso resultou em sua exacerbação.

O antissemitismo é tão antigo quanto a própria nação judaica. Ao longo dos milênios, esse fenômeno aparentemente inexorável foi mais prevalente em alguns locais do que em outros e se manifestou com mais ou menos intensidade – até atingir seu ápice com o Holocausto, quando a Alemanha nazista e seus colaboradores, buscando extirpar o Povo Judeu da face da Terra, exterminaram mais de 6 milhões de nossos irmãos.

Ao final da 2ª Guerra Mundial, quando os horrores do Holocausto foram revelados à humanidade, esperava-se que o antissemitismo não fosse mais tolerado, deixando de existir. Esperava-se que a humanidade tivesse aprendido com o Holocausto e, assim, nunca mais florescessem o antissemitismo e nem outras formas de preconceito e racismo. Mas, infelizmente, o antissemitismo nunca desapareceu – apenas se ocultou temporariamente ou se metamorfoseou. Hoje, o que vemos em muitos países é que os antissemitas sequer tentam esconder seu ódio pelo Povo Judeu, manifestando-o de maneira aberta, vigorosa e cruel.

Mas o que é o antissemitismo? Antissemitismo significa negar aos judeus o direito de existir coletivamente como tal. É semelhante a um vírus com capacidade de mutação e adaptação. E, de fato, ao longo dos séculos, passou por diversas mutações.

Na Idade Média, éramos perseguidos por nossa religião. Já nos séculos 19 e 20, éramos vistos como uma raça distinta. E nos perseguiam.

Hoje, somos atacados principalmente devido à existência do Estado de Israel, país que garante a segurança do Povo Judeu: é o lar onde todos seremos sempre bem-vindos e para onde podemos recorrer, especialmente se não pudermos mais viver como judeus em nossos países de origem. Negar o direito de existência ao Estado de Israel significa negar aos judeus o direito à liberdade, autodefesa e autodeterminação.

Na verdade, o antissemitismo não é apenas um problema para o Povo Judeu, mas para toda a humanidade, porque a liberdade religiosa é um dos alicerces das sociedades livres e democráticas.

Portanto, o recrudescimento do antissemitismo constitui um sinal de alerta para a humanidade, sinalizando uma ameaça à vida, liberdade e dignidade humanas. Os maiores vilões de todos os tempos foram notórios antissemitas. A princípio, perseguiram os judeus, voltando-se, depois, contra o restante da humanidade. O antissemitismo é um fenômeno extremamente perigoso e nocivo que atinge a todos, e é por isso que, juntos, devemos combatê-lo.

Nesses momentos em que assistimos estarrecidos uma guerra que pode assumir proporções assustadoras, precisamos lembrar que para sobreviver como povo devemos manter nossa identidade e, como bem o disse Martin Luther King Jr., nenhum homem é realmente livre até que todos sejamos livres.

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXIX N.114 ABRIL 2022

Liberdade é o tema principal de Pessach, data que celebra o Êxodo do Egito. A história dessa festa, narrada na Hagadá, inspirou inúmeras pessoas ao longo das gerações a lutar pela liberdade e dignidade humanas. Durante o Seder celebramos milhares de anos de sobrevivência judaica, ainda que “em cada geração eles se levantam e tentam nos destruir”, como nos lembra, ano após ano, a Hagadá.

Ao longo dos milênios – inclusive em nossa geração – o antissemitismo tem-se manifestado de diversas formas. Nós, judeus, lutamos contra o ódio ao nosso povo desde a época em que fomos escravizados no Egito. Mas é importante enfatizar que não cabe apenas a nós lutar contra esse fenômeno. Como escreveu o Rabino Lorde Jonathan Sacks, ZT’L: “A vítima não pode curar o crime. O odiado não pode curar o ódio”.

No século 19, muitos judeus acreditavam que, por serem objeto de antissemitismo, cabia-lhes também ser a cura e que eles próprios poderiam erradicá-lo. “Eles nos odeiam porque somos diferentes, então deixemos de ser diferentes; eles cessarão de nos odiar”. Acreditavam que, abandonando sua identidade e religiosidade, seriam aceitos, acabando com o antissemitismo.

Vã ilusão. Quando e onde nosso povo ocultou ou até abandonou sua identidade e prática da religião, além de não ser aceito por membros de outras religiões, foi criticado e condenado por trair nossa fé. Além de não reduzir o antissemitismo, isso resultou em sua exacerbação.

O antissemitismo é tão antigo quanto a própria nação judaica. Ao longo dos milênios, esse fenômeno aparentemente inexorável foi mais prevalente em alguns locais do que em outros e se manifestou com mais ou menos intensidade – até atingir seu ápice com o Holocausto, quando a Alemanha nazista e seus colaboradores, buscando extirpar o Povo Judeu da face da Terra, exterminaram mais de 6 milhões de nossos irmãos.

Ao final da 2ª Guerra Mundial, quando os horrores do Holocausto foram revelados à humanidade, esperava-se que o antissemitismo não fosse mais tolerado, deixando de existir. Esperava-se que a humanidade tivesse aprendido com o Holocausto e, assim, nunca mais florescessem o antissemitismo e nem outras formas de preconceito e racismo. Mas, infelizmente, o antissemitismo nunca desapareceu – apenas se ocultou temporariamente ou se metamorfoseou. Hoje, o que vemos em muitos países é que os antissemitas sequer tentam esconder seu ódio pelo Povo Judeu, manifestando-o de maneira aberta, vigorosa e cruel.

Mas o que é o antissemitismo? Antissemitismo significa negar aos judeus o direito de existir coletivamente como tal. É semelhante a um vírus com capacidade de mutação e adaptação. E, de fato, ao longo dos séculos, passou por diversas mutações.

Na Idade Média, éramos perseguidos por nossa religião. Já nos séculos 19 e 20, éramos vistos como uma raça distinta. E nos perseguiam.

Hoje, somos atacados principalmente devido à existência do Estado de Israel, país que garante a segurança do Povo Judeu: é o lar onde todos seremos sempre bem-vindos e para onde podemos recorrer, especialmente se não pudermos mais viver como judeus em nossos países de origem. Negar o direito de existência ao Estado de Israel significa negar aos judeus o direito à liberdade, autodefesa e autodeterminação.

Na verdade, o antissemitismo não é apenas um problema para o Povo Judeu, mas para toda a humanidade, porque a liberdade religiosa é um dos alicerces das sociedades livres e democráticas.

Portanto, o recrudescimento do antissemitismo constitui um sinal de alerta para a humanidade, sinalizando uma ameaça à vida, liberdade e dignidade humanas. Os maiores vilões de todos os tempos foram notórios antissemitas. A princípio, perseguiram os judeus, voltando-se, depois, contra o restante da humanidade. O antissemitismo é um fenômeno extremamente perigoso e nocivo que atinge a todos, e é por isso que, juntos, devemos combatê-lo.

Nesses momentos em que assistimos estarrecidos uma guerra que pode assumir proporções assustadoras, precisamos lembrar que para sobreviver como povo devemos manter nossa identidade e, como bem o disse Martin Luther King Jr., nenhum homem é realmente livre até que todos sejamos livres.


SUPLEMENTO

Suplemento - Seder de Pesach
Edição 114 - Abril de 2022

SUPLEMENTO

Hagadá de Pessach
Edição 114 - Abril de 2022

ANTISSEMITISMO

Bambi, uma história sobre o antissemitismo

Bambi, uma história sobre o antissemitismo

Nova tradução do livro que deu origem ao filme “Bambi”, da Walt Disney, traz à tona aspectos que revelam a percepção do seu autor em relação ao aumento do antissemitismo na Áustria e na Alemanha, antes da 2ª Guerra Mundial, que culminaria na Shoá.

Edição 114 - Abril de 2022

ISRAEL HOJE

Em Israel, inclusão passa da teoria à prática

Em Israel, inclusão passa da teoria à prática

Programa criado por ex-agentes do Mossad, em 2013, prepara jovens com autismo para as Forças de Defesa, absorção no mercado de trabalho e integração à sociedade, sempre buscando desenvolver seu potencial.

Edição 114 - Abril de 2022

ISRAEL HOJE

A história dos laços de Israel com Ucrânia e Rússia

A história dos laços de Israel com Ucrânia e Rússia

Ao longo dos seus 73 anos de independência, Israel testemunhou diferentes momentos em suas relações com Moscou e com Kiev, da cooperação a enfrentamentos, dos boicotes a diálogos. E, em meio à tragédia da guerra entre Rússia e Ucrânia, o primeiro-ministro Naftali Bennett protagonizou um momento de ação diplomática no começo de março, buscando mediar uma solução negociada para o trágico conflito, com a invasão de território ucraniano por tropas russas.

Edição 114 - Abril de 2022

HOLOCAUSTO

A Lei, a ciência e a medicina nazista

A Lei, a ciência e a medicina nazista

A adoção da ideologia nazista levou ao abandono de valores éticos, morais e científicos e os médicos e acadêmicos alemães que abraçaram essa ideologia se tornaram agentes e cúmplices de atrocidades imperdoáveis. Milhões de vítimas foram sacrificados em nome de uma “nova Ciência”.

Edição 114 - Abril de 2022

BRASIL

A presença nazista na Amazônia

A presença nazista na Amazônia

Pouco antes de eclodir a 2ª Guerra Mundial, os alemães fizeram uma expedição Ao Norte do Brasil, com interesses que iam além de apenas conhecer a fauna e a flora local.

Edição 114 - Abril de 2022

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

O Enigma Ethel

O Enigma Ethel

Em junho de 1953, o casal de judeus Julius e Ethel Rosenberg foi eletrocutado numa prisão em Nova York, condenado por espionagem em favor da União Soviética. Essa trágica execução até hoje estimula controvérsias. Muitos afirmam que o casal foi vítima da paranoia anticomunista então existente na América. Outros percebem digitais antissemitas na acusação e insistem na inocência de Ethel, mãe de dois filhos pequenos quando foi morta.

Edição 114 - Abril de 2022

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

Judeus de Kiev: do séc. 8  à Revolução Russa de 1917

Judeus de Kiev: do séc. 8 à Revolução Russa de 1917

Esta não é a primeira vez em que a Ucrânia se vê forçada a enfrentar a Rússia, tendo Kiev como palco de sangrentas lutas. Tampouco é a primeira vez em que os judeus vivem dias de terror, pois lá, desde seu estabelecimento em solo ucraniano, muito sangue judeu já foi derramado.  

Edição 114 - Abril de 2022

ARTE E CULTURA

Segall e Chagall

Segall e Chagall

Recentemente, dois livros foram escritos com base em traduções inéditas dos arquivos particulares de Lasar Segall (1889-1957) na língua iídiche. O primeiro é constituído por cartas de familiares, amigos e instituições. O segundo, por matérias sobre o pintor na imprensa judaica no Brasil, entre 1924 e 1958.

Edição 114 - Abril de 2022

HISTÓRIA DE ISRAEL

Judeus de Kiev nos séculos 20 e 21

Judeus de Kiev nos séculos 20 e 21

A história dos judeus de Kiev nos últimos 100 anos é tão difícil e sangrenta quanto a dos séculos anteriores. Ela tem início na esteira da Revolução Russa de 1917 e se estende até hoje. Durante esse período, Kiev foi o centro do judaísmo ucraniano e de suas instituições religiosas e culturais.

Edição 114 - Abril de 2022

SHAVUOT

O casamento entre o Céu e a Terra

O casamento entre o Céu e a Terra

A festa de Shavuot comemora o momento da entrega da Torá e o casamento entre o Céu e a Terra. Até a Revelação Divina no Monte Sinai, D’us era inatingível. A entrega da Torá marca o momento em que D’us se revela a todo o povo judeu, sendo esse o momento em que fomos capazes de conhecê-Lo. Com a entrega da Torá, nossa missão deixa de ser atingir o Céu, mas sim trazer o Céu para a Terra.

Edição 114 - Abril de 2022

PÊSSACH

Leis e Significado do Chamêts

Leis e Significado do Chamêts

Durante a festa de Pessach é estritamente proibido consumir, utilizar ou mesmo ter em casa chamêts. No entanto, há muitas pessoas que desconhecem o que seja o chamêts, pensando ser apenas pão ou um agente fermentador.

Edição 114 - Abril de 2022