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20ª Macabíadas: atletas judeus de 80 países, um só coração

20ª Macabíadas: atletas judeus de 80 países, um só coração

Cerca de 10 mil atletas judeus de 80 países participaram, em Israel, da 20ª edição das Macabíadas, de 6 a 18 de julho último.  Com disputas em 47 modalidades, é o terceiro maior evento esportivo do mundo. Este ano, a 20ª Macabíada teve um significado especial, quando Israel comemorou os 50 anos da reunificação de Jerusalém.

Edição 97 - Setembro de 2017


Cinquenta anos após a unificação de nossa Capital Eterna, finalmente devolvemos a “Macabiá” ao seu legítimo lugar: Jerusalém”, disse o prefeito Nir Barkat.

Na noite de abertura, no Estádio Teddy Kollek, em Jerusalém, mais de 30 mil pessoas, além da presença dos medalhistas de bronze do judô das Olimpíadas do Rio, os israelenses Ori Sasson e Yarden Gerbi. A emoção tomou conta dos presentes quando os membros do Movimento Juvenil Sionista Escoteiro Macabi cercou o estádio carregando bandeiras israelenses, “esquentando” o início do desfile das delegações.

Após o tradicional desfile das delegações e acendimento da tocha, um grande show com artistas israelenses e mais de 600 dançarinos. Os jogos foram realizados em Jerusalém, Tel Aviv, Ramat Gan, Acre, Natânia, Raanana, no Kineret e em Haifa.

Na ocasião, afirmou Amir Peled, presidente da competição: “As Macabíadas são a essência dos valores em que acredito: sionismo, judaísmo, fraternidade, o povo e os esportes. Este é o melhor lugar em torno do qual os judeus de todo o mundo podem se unir”.

O presidente Moshe Rivlin, em sua mensagem, afirmou: “Hoje estamos aqui, celebrando os jogos da 20a Macabiá ”, com o tema do 50o aniversário da libertação de Jerusalém”. Ao saudar os atletas e dar-lhes as boas vindas à “Capital Eterna, liberta e reconstruída de Israel”, ele declarou: “Queridos atletas, nosso país é seu país; nosso lar é seu lar”.

Seu discurso foi seguido pelo do primeiro-ministro Bibi Netanyahu, que, após dirigir-se aos atletas, falou para todo o Povo Judeu: “Somos, todos, um só povo. A Macabiá é uma competição em homenagem aos macabeus e foram eles que libertaram nossa terra enfrentando grandes adversidades. O Povo de Israel é forte e nosso Estado é forte. Somos, todos nós, os descendentes dos macabeus... Sofremos a maior tragédia da história da Humanidade. E, ainda assim, voltamos”, ressaltou.

Organizadas de quatro em quatro anos pela União Mundial Macabi, as Macabíadas são reconhecidas pela Federação Mundial de Esportes e pelo Comitê Olímpico Internacional. Desde a sua criação, na década de 1930, esses jogos são uma das mais emocionantes manifestações do ideal sionista e da centralidade de Israel na vida do Povo Judeu.

A ideia dos Jogos Macabeus nasceu com Yosef Yekutieli1, quando tinha 15 anos, inspirado nos Jogos Olímpicos de Verão de 1912. Em 1928, ele apresentou seu sonho ao Keren Kaiemet LeIsrael, sugerindo que a competição fosse organizada para comemorar os 1.800 anos da revolta de Bar Kochba (revolta judaica contra os romanos no ano de 132 E.C. ). As Macabíadas foram, então, realizadas pela primeira vez em 1932 em Eretz Israel, antes mesmo da criação do Estado.

Este ano, a delegação brasileira contou com 500 participantes – 420 atletas e 80 da equipe técnica, a maior até então, e trouxe na bagagem de volta 61 medalhas, além de 3 nas Paraolimpíadas. Os atletas brasileiros estavam divididos em três categorias: 220 na divisão Sub-18 (para atletas até 18 anos), 120 na categoria Aberta (engloba todas as idades) e 80 na divisão Master (para atletas a partir dos 35 anos). Os brasileiros desfilaram na abertura ao som da música “Open Bar”, de Pablo Vittar, uma versão abrasileirada de “Lean On”, do Major Lazer.

Para Avi Gelberg, presidente da Confederação Brasileira Macabi (CBM) e da Hebraica, as Macabíadas foram “um verdadeiro sonho”. Os bons resultados obtidos pelos atletas são, segundo ele, decorrência do árduo trabalho realizado pela diretoria, voluntários, atletas e todos os que se empenharam para enviar um grande grupo a Israel. Para Gelberg, além dos 500 membros que integraram a delegação, cerca de mais 300 judeus brasileiros acompanharam as várias competições.

O Shabat no Kotel (Muro das Lamentações) “continua sendo um dos momentos mais emocionantes da jornada esportiva, um momento a ser guardado para sempre na lembrança”, diz ele. Em especial, ele tem duas imagens daquela sexta-feira, dia 14 de julho, bastante tensa por causa de um atentado que ocorrera no Monte do Templo, naquela manhã, no qual morreram dois soldados israelenses. Por causa do ocorrido, a delegação brasileira teve um esquema de segurança especial. Uma das imagens é da multidão bem ao lado do Muro. A outra, do kidush realizado no terraço de uma ieshivá enquanto todos juntos cantavam o Hatikva, hino que traz acima de tudo uma mensagem de esperança.

As Macabíadas, mais uma vez, foram encerradas em Latrun, símbolo da vitória de Israel na Guerra dos Seis Dias, tendo como mestre de cerimônias a modelo israelense de renome internacional, Bar Rafaeli, com o anfiteatro lotado, em mais uma cerimônia que celebrou atletismo, judaísmo e sionismo e, este ano, os 50 anos da reunificação de Jerusalém.

1Yekutieli foi uma figura de destaque na organização israelense esportiva Maccabi e nos esportes do país, em geral. Além das Macabíadas, fundou a Associação de Futebol de Israel e o Comitê Olímpico Israelense. Em 1979, recebeu a mais alta condecoração do país, o Prêmio Israel, por sua especial contribuição à sociedade e aos esportes de Israel.