Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXVIII N.108 SETEMBRO 2020

O mundo tem enfrentado, nos últimos meses, fenômenos singulares e imprevisíveis, causados por uma pandemia de proporções há muito não vistas, que o vem assolando. Tem sido, infelizmente, uma dura lição de humildade para a humanidade.

Em questão de semanas, a vida mudou para bilhões de pessoas. Até as liberdades mais básicas, que considerávamos óbvias, foram drasticamente reduzidas. Durante meses, bilhões de pessoas em todo o mundo, inclusive a maioria da população do Brasil, não puderam sequer fazer as coisas do dia-a-dia: ir à escola ou ao trabalho, visitar um parente ou amigo, passear ou fazer compras. O mundo teve de parar; fábricas e empresas foram fechadas, viagens foram proibidas.

As economias dos países mais ricos do mundo se contraíram a níveis nunca vistos desde a Grande Depressão. O mundo inteiro virou de cabeça para baixo – de repente, inesperadamente, em questão de poucas semanas.

Pela primeira vez na história, quase todas as sinagogas do mundo inteiro, tanto em Israel quanto na Diáspora, foram fechadas.

Nesse tempo em que todos tivemos de ficar isolados constatamos que, mesmo com toda evolução que houve no mundo e apesar de todos os avanços científicos, médicos e tecnológicos dos últimos anos – levando muitas pessoas a acreditar que o homem se tornara o mestre do mundo e de seu destino – com tudo isso, não temos a prevenção nem a cura para esse vírus e, apesar de bilhões de dólares investidos e muitos meses de trabalho, uma vacina ainda não está disponível. Percebemos nossa vulnerabilidade e o quão pouco sabemos e podemos controlar.

Constatamos que não governamos o mundo e humildemente reconhecemos que tudo o que temos é uma dádiva Divina, que tudo depende de D’us. A pandemia já causou muito sofrimento para toda a humanidade: milhões de seres humanos foram infectados e centenas de milhares morreram. Muitos chegaram a acreditar que a pandemia significaria o fim da humanidade.

Como disse o Rabino Lorde Jonathan Sacks: “Acredito que haverá consequências positivas que advirão desta triste situação em que estamos – temos apenas que manter nossa coragem, confiança e esperança até podermos todos virar esta página. Por mais difícil que seja imaginar isso hoje, olharemos para trás e diremos: Por tudo isso, emergiremos destes tempos difíceis pessoas melhores do que éramos”.

O Judaísmo nos fornece a sabedoria para podermos tirar lições deste período extremamente difícil e nebuloso.

A resiliência do Povo Judeu e a força e otimismo que o mantiveram vivo por milênios deve servir como fonte de inspiração para toda a humanidade. Nós, judeus, mais do que nenhum outro povo, sabemos que o mundo já passou por épocas muito turbulentas e sombrias. Não devemos, portanto, perder as esperanças. É inegável que não podemos trazer de volta as vidas levadas pela pandemia - assim como não podemos trazer de volta os milhões de judeus que foram mortos no Holocausto. Mas a história judaica nos ensina que podemos sempre reconstruir o que foi destruído e, se necessário, começar de novo.

O Rei Salomão, o mais sábio de todos os homens, ensinou-nos a lição atemporal de que tudo na vida passa. Esta pandemia também passará. Mas até que isso ocorra – e rezamos para que seja o mais breve possível, o Judaísmo e a própria história do Povo Judeu nos ensinam a ser fortes e resilientes e a não nos desesperarmos.

À luz dos mais recentes avanços científicos e tecnológicos, muitas pessoas podem ter julgado essas preces desnecessárias e anacrônicas. Hoje, vemos que apesar de toda a genialidade do homem, essas orações são mais relevantes do que nunca.

Neste Rosh Hashaná, oraremos por um ano bom e doce para toda a humanidade: um ano de cura, no qual o mundo não apenas derrotará definitivamente a pandemia, como também emergirá dela mais forte do que nunca.

Shaná Tová Umetucá!

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXVIII N.108 SETEMBRO 2020

O mundo tem enfrentado, nos últimos meses, fenômenos singulares e imprevisíveis, causados por uma pandemia de proporções há muito não vistas, que o vem assolando. Tem sido, infelizmente, uma dura lição de humildade para a humanidade.

Em questão de semanas, a vida mudou para bilhões de pessoas. Até as liberdades mais básicas, que considerávamos óbvias, foram drasticamente reduzidas. Durante meses, bilhões de pessoas em todo o mundo, inclusive a maioria da população do Brasil, não puderam sequer fazer as coisas do dia-a-dia: ir à escola ou ao trabalho, visitar um parente ou amigo, passear ou fazer compras. O mundo teve de parar; fábricas e empresas foram fechadas, viagens foram proibidas.

As economias dos países mais ricos do mundo se contraíram a níveis nunca vistos desde a Grande Depressão. O mundo inteiro virou de cabeça para baixo – de repente, inesperadamente, em questão de poucas semanas.

Pela primeira vez na história, quase todas as sinagogas do mundo inteiro, tanto em Israel quanto na Diáspora, foram fechadas.

Nesse tempo em que todos tivemos de ficar isolados constatamos que, mesmo com toda evolução que houve no mundo e apesar de todos os avanços científicos, médicos e tecnológicos dos últimos anos – levando muitas pessoas a acreditar que o homem se tornara o mestre do mundo e de seu destino – com tudo isso, não temos a prevenção nem a cura para esse vírus e, apesar de bilhões de dólares investidos e muitos meses de trabalho, uma vacina ainda não está disponível. Percebemos nossa vulnerabilidade e o quão pouco sabemos e podemos controlar.

Constatamos que não governamos o mundo e humildemente reconhecemos que tudo o que temos é uma dádiva Divina, que tudo depende de D’us. A pandemia já causou muito sofrimento para toda a humanidade: milhões de seres humanos foram infectados e centenas de milhares morreram. Muitos chegaram a acreditar que a pandemia significaria o fim da humanidade.

Como disse o Rabino Lorde Jonathan Sacks: “Acredito que haverá consequências positivas que advirão desta triste situação em que estamos – temos apenas que manter nossa coragem, confiança e esperança até podermos todos virar esta página. Por mais difícil que seja imaginar isso hoje, olharemos para trás e diremos: Por tudo isso, emergiremos destes tempos difíceis pessoas melhores do que éramos”.

O Judaísmo nos fornece a sabedoria para podermos tirar lições deste período extremamente difícil e nebuloso.

A resiliência do Povo Judeu e a força e otimismo que o mantiveram vivo por milênios deve servir como fonte de inspiração para toda a humanidade. Nós, judeus, mais do que nenhum outro povo, sabemos que o mundo já passou por épocas muito turbulentas e sombrias. Não devemos, portanto, perder as esperanças. É inegável que não podemos trazer de volta as vidas levadas pela pandemia - assim como não podemos trazer de volta os milhões de judeus que foram mortos no Holocausto. Mas a história judaica nos ensina que podemos sempre reconstruir o que foi destruído e, se necessário, começar de novo.

O Rei Salomão, o mais sábio de todos os homens, ensinou-nos a lição atemporal de que tudo na vida passa. Esta pandemia também passará. Mas até que isso ocorra – e rezamos para que seja o mais breve possível, o Judaísmo e a própria história do Povo Judeu nos ensinam a ser fortes e resilientes e a não nos desesperarmos.

À luz dos mais recentes avanços científicos e tecnológicos, muitas pessoas podem ter julgado essas preces desnecessárias e anacrônicas. Hoje, vemos que apesar de toda a genialidade do homem, essas orações são mais relevantes do que nunca.

Neste Rosh Hashaná, oraremos por um ano bom e doce para toda a humanidade: um ano de cura, no qual o mundo não apenas derrotará definitivamente a pandemia, como também emergirá dela mais forte do que nunca.

Shaná Tová Umetucá!


SUPLEMENTO

Suplemento - Grandes Festas
Edição 108 - Setembro de 2020

PERSONALIDADES

Contrariando as circulares secretas do Governo Vargas

Contrariando as circulares secretas do Governo Vargas

A trajetória do embaixador brasileiro Luis Martins de Souza Dantas, um dos melhores exemplos contra o antissemitismo endossado pelo governo de Getúlio Vargas.

Edição 108 - Setembro de 2020

ANTISSEMITISMO

A Inquisição Espanhola

A Inquisição Espanhola

A Inquisição foi introduzida tardiamente na Espanha, por Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os Reis Católicos, no final do século 15, cerca de 250 anos após ter sido criada pela Igreja Católica. Mas foi nos domínios da Coroa Espanhola que alcançou novas dimensões de intolerância e perversidade, tornando-se o capítulo mais aterrorizante na história da Inquisição.

Edição 108 - Setembro de 2020

ISRAEL HOJE

Universidades de Israel em destaque

Universidades de Israel em destaque

A educação faz parte da cultura nacional de Israel, e o alto nível do Ensino Superior no país é elogiado por estimular o desenvolvimento econômico e promover o boom tecnológico. Uma das consequências da excelência no ensino em suas universidades foi o aumento no número de alunos de todo o mundo interessados em dar continuidade a seus estudos em universidades israelenses.

Edição 108 - Setembro de 2020

COMUNIDADES DA DIÁSPORA

Os judeus de Thessaloniki

Os judeus de Thessaloniki

A importante história dos judeus de Thessaloniki, até o extermínio praticamente total da comunidade judaica durante o Holocausto, é pouco conhecida em nosso meio, e merece ser contada mais uma vez.

Edição 108 - Setembro de 2020

SUCOT

Sucot e o Tabernáculo, o Mishkan

Sucot e o Tabernáculo, o Mishkan

“Habitareis em Sucot, cabanas, durante sete dias, todos os habitantes de Israel habitarão em Sucot; para que as futuras gerações possam saber que Eu fiz o Povo de Israel viver em cabanas, quando os tirei da Terra do Egito. Eu sou o Senhor, vosso D’us”. (Levítico, 23:42-43)

Edição 108 - Setembro de 2020

ROSH HASHANÁ

O Significado de nossos Atos

O Significado de nossos Atos

“Tu Te recordas do que foi feito no mundo desde a eternidade e Te recordas de todas as criaturas desde os tempos mais remotos. Diante de Ti são desvendados todos os mistérios e os numerosos segredos desde o começo da Criação; pois não há esquecimento ante o trono de Tua glória, nem há segredo diante de Teus olhos. Tudo é revelado e conhecido por Ti, Eterno nosso D’us… Pois Tu decretaste o momento da recordação para que sejam lembrados toda alma e todo espírito, para que sejam recordadas as múltiplas ações e as inúmeras criaturas de maneira infinita... (Oração de Mussaf em Rosh Hashaná)

Edição 108 - Setembro de 2020

YOM KIPUR

Algumas leis relacionadas a Yom Kipur

Algumas leis relacionadas a Yom Kipur

Neste ano, Yom Kipur se inicia no dia 27 de setembro, domingo, e termina na noite do dia 28 de setembro.

Edição 108 - Setembro de 2020

VARIEDADES

Alegria e Aflição na Pandemia

Alegria e Aflição na Pandemia

Tristeza e felicidade não são dois polos opostos, incapazes de conviver, pois um não exclui o outro.

Edição 108 - Setembro de 2020

VARIEDADES

O Shabat, seus mistérios e seus sabores

O Shabat, seus mistérios e seus sabores

Para entender o que é o Shabat é preciso vivenciá-lo, diz Pessy Gansburg em seu livro “Shabat, costumes e tradições judaicas: uma perspectiva gastronômica através dos tempos”

Edição 108 - Setembro de 2020

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

Filho de imigrantes

Filho de imigrantes

O relato a seguir é uma breve lembrança da vida dos meus pais, que saíram no século passado da Bessarábia, uma bela e conturbada região localizada entre a Romênia e a Rússia, e se radicaram no Brasil, no Rio de Janeiro. Espero que meus netos e os netos dos meus netos, se vierem a tomar conhecimento desta narrativa, renovem o orgulho por terem atravessado o Mar Vermelho guiados por Moisés, e sempre se empenhem pela sobrevivência do Povo Judeu.

Edição 108 - Setembro de 2020

LEIS, COSTUMES E TRADIÇÕES

Adornos Femininos: Costume e Identidade

Adornos Femininos: Costume e Identidade

A coleção de vestuário e joalheria feminina do Museu Israel, em Jerusalém, é uma das maiores e mais ricas do mundo. A ampla variedade de trajes e adornos expostos em suas galerias nos permitem conhecer a rica e fascinante cultura judaica das diferentes comunidades onde viveram os judeus, através dos tempos. Dentre os mais deslumbrantes estão os adornos para cobrir a cabeça usados pelas mulheres judias depois de casadas, em hebraico, Kissui ha-Rosh, nas várias comunidades através do mundo e dos tempos.

Edição 108 - Setembro de 2020

HISTÓRIA DE ISRAEL

Safed - refúgio de conversos no século 16

Safed - refúgio de conversos no século 16

A pequena Safed ou Tzfat, em hebraico, é uma cidadezinha da Galileia Incrustada no pé de uma colina e cercada por montanhas.  Berço do misticismo judaico, foi um porto seguro onde se estabeleceram, no século 16, inúmeros conversos em fuga durante a Inquisição. Os anseios messiânicos, aliados à enorme vontade dos conversos de retornar ao Judaísmo, fazem parte desta heroica e desconhecida epopeia da História Judaica.

Edição 108 - Setembro de 2020