Morashá

CARTA AO LEITOR:
ANO XXVI N.103 ABRIL 2019

O Êxodo do Egito é o tema principal de Pessach, mas esse evento, ainda que decisivo na história do Povo Judeu e da humanidade, não se limita a essa festa.

Durante o processo que levou à saída de nosso povo do Egito, milhões de pessoas testemunharam milagres e revelações Divinas: as Dez Pragas que levaram à libertação dos Filhos de Israel e as visões proféticas que eles tiveram durante a abertura e travessia do
Mar de Juncos.

A libertação do Egito envolveu um enorme número de seres humanos – judeus e egípcios. Os eventos públicos, testemunhados por milhões de pessoas, constituem a História. Quando um indivíduo relata um acontecimento particular extraordinário, especialmente quando afirma ter presenciado um milagre ou recebido alguma revelação Divina, torna-se uma questão de fé acreditar ou não em tal relato. Mas, quando os milagres envolvem e são testemunhados por milhões de pessoas, é muito difícil negar sua veracidade.

Quando um evento altamente significativo ocorre na história de uma nação, seja ele feliz, triste, glorioso ou trágico, cabe aos seus membros relatá-lo às futuras gerações. Isso vale para qualquer evento de grande importância histórica. Por exemplo, é nossa obrigação transmitir o Holocausto a nossos filhos, e eles, por sua vez, devem narrá-lo a seus filhos, para que nunca seja esquecido. O mesmo se aplica ao Êxodo do Egito e à subsequente Revelação Divina no Monte Sinai: temos a obrigação de relatar esses acontecimentos para que o Povo Judeu nunca se esqueça de que o Judaísmo não se baseia, apenas, em fé, conjecturas teológicas ou alegações de algum indivíduo, mas sim, em eventos históricos vivenciados por milhões de pessoas.

Mas por que a necessidade de mencionar o Êxodo do Egito todos os dias de nossa vida? Não seria suficiente mencioná-lo em Pessach ou em determinadas ocasiões, ao longo do ano? De fato, não falamos sobre os outros grandes eventos da história judaica todos os dias. Por que, então, há um mandamento da Torá que nos obriga a lembrar do Êxodo do Egito todos os dias?

São vários os motivos. Por exemplo, sabemos que a Torá tem muitas camadas de significados. Quando nos fala do Êxodo do Egito, não se refere apenas a eventos que ocorreram há mais de três mil anos com nossos ancestrais. A Torá também está falando diretamente a cada um de nós, hoje. Nossos Sábios ensinam que a palavra hebraica Mitzraim, Egito, é derivada da palavra Metzarim, que significa “limites”, “apertos” ou “restrições”. Mitzraim refere-se não só a um país do continente africano, mas a um estado de espírito.

A Torá nos ordena lembrar e mencionar o Êxodo todos os dias – mandamento que é cumprido ao se recitar o versículo, “Eu sou o Eterno, vosso D’us, que vos tirei da Terra do Egito para ser vosso D’us” – para nos ensinar que quando depositamos nossa confiança em D’us, quando escolhemos a fé sobre a desesperança, o otimismo sobre o pessimismo, a tranquilidade sobre a ansiedade, a alegria sobre a angústia e a coragem sobre o medo, libertamo-nos de nosso Egito pessoal, interior. Portanto, não é de surpreender que devamos mencionar o Êxodo todos os dias, pois a maioria dos seres humanos luta, diariamente, contra pensamentos e sentimentos negativos. De fato, para algumas pessoas, seria aconselhável lembrar o Êxodo do Egito a cada hora do dia.

A vida é repleta de bênçãos, oportunidades e momentos de alegria, mas todos enfrentamos desafios e dificuldades. O mandamento de lembrar o Êxodo do Egito nos ensina que, com a ajuda de D’us, podemos libertar-nos de sentimentos negativos, que nos causam dor e ansiedade, para podermos viver uma vida mais livre e feliz, com otimismo e tranquilidade e repleta de luz e energia positiva.

Pessach Casher ve-Sameach!

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CARTA AO LEITOR:
ANO XXVI N.103 ABRIL 2019

O Êxodo do Egito é o tema principal de Pessach, mas esse evento, ainda que decisivo na história do Povo Judeu e da humanidade, não se limita a essa festa.

Durante o processo que levou à saída de nosso povo do Egito, milhões de pessoas testemunharam milagres e revelações Divinas: as Dez Pragas que levaram à libertação dos Filhos de Israel e as visões proféticas que eles tiveram durante a abertura e travessia do
Mar de Juncos.

A libertação do Egito envolveu um enorme número de seres humanos – judeus e egípcios. Os eventos públicos, testemunhados por milhões de pessoas, constituem a História. Quando um indivíduo relata um acontecimento particular extraordinário, especialmente quando afirma ter presenciado um milagre ou recebido alguma revelação Divina, torna-se uma questão de fé acreditar ou não em tal relato. Mas, quando os milagres envolvem e são testemunhados por milhões de pessoas, é muito difícil negar sua veracidade.

Quando um evento altamente significativo ocorre na história de uma nação, seja ele feliz, triste, glorioso ou trágico, cabe aos seus membros relatá-lo às futuras gerações. Isso vale para qualquer evento de grande importância histórica. Por exemplo, é nossa obrigação transmitir o Holocausto a nossos filhos, e eles, por sua vez, devem narrá-lo a seus filhos, para que nunca seja esquecido. O mesmo se aplica ao Êxodo do Egito e à subsequente Revelação Divina no Monte Sinai: temos a obrigação de relatar esses acontecimentos para que o Povo Judeu nunca se esqueça de que o Judaísmo não se baseia, apenas, em fé, conjecturas teológicas ou alegações de algum indivíduo, mas sim, em eventos históricos vivenciados por milhões de pessoas.

Mas por que a necessidade de mencionar o Êxodo do Egito todos os dias de nossa vida? Não seria suficiente mencioná-lo em Pessach ou em determinadas ocasiões, ao longo do ano? De fato, não falamos sobre os outros grandes eventos da história judaica todos os dias. Por que, então, há um mandamento da Torá que nos obriga a lembrar do Êxodo do Egito todos os dias?

São vários os motivos. Por exemplo, sabemos que a Torá tem muitas camadas de significados. Quando nos fala do Êxodo do Egito, não se refere apenas a eventos que ocorreram há mais de três mil anos com nossos ancestrais. A Torá também está falando diretamente a cada um de nós, hoje. Nossos Sábios ensinam que a palavra hebraica Mitzraim, Egito, é derivada da palavra Metzarim, que significa “limites”, “apertos” ou “restrições”. Mitzraim refere-se não só a um país do continente africano, mas a um estado de espírito.

A Torá nos ordena lembrar e mencionar o Êxodo todos os dias – mandamento que é cumprido ao se recitar o versículo, “Eu sou o Eterno, vosso D’us, que vos tirei da Terra do Egito para ser vosso D’us” – para nos ensinar que quando depositamos nossa confiança em D’us, quando escolhemos a fé sobre a desesperança, o otimismo sobre o pessimismo, a tranquilidade sobre a ansiedade, a alegria sobre a angústia e a coragem sobre o medo, libertamo-nos de nosso Egito pessoal, interior. Portanto, não é de surpreender que devamos mencionar o Êxodo todos os dias, pois a maioria dos seres humanos luta, diariamente, contra pensamentos e sentimentos negativos. De fato, para algumas pessoas, seria aconselhável lembrar o Êxodo do Egito a cada hora do dia.

A vida é repleta de bênçãos, oportunidades e momentos de alegria, mas todos enfrentamos desafios e dificuldades. O mandamento de lembrar o Êxodo do Egito nos ensina que, com a ajuda de D’us, podemos libertar-nos de sentimentos negativos, que nos causam dor e ansiedade, para podermos viver uma vida mais livre e feliz, com otimismo e tranquilidade e repleta de luz e energia positiva.

Pessach Casher ve-Sameach!


SUPLEMENTO

Suplemento de Pessach
Edição 103 - Abril de 2019

PERSONALIDADES

Stan Lee, o criador de Super-heróis

Stan Lee, o criador de Super-heróis

Escritor e editor, filho de judeus romenos, Stan Lee morreu aos 95 anos em novembro de 2018, após uma vida profissional muito rica, que fez a alegria de crianças e adultos com os inesquecíveis super-heróis mais famosos do mundo – Homem-Aranha, Thor, X-Men, Incrível Hulk, Demolidor, Homem de Ferro, Homem-Formiga, Pantera Negra e Quarteto Fantástico.

Edição 103 - Abril de 2019

ANTISSEMITISMO

Um alerta ao mundo civilizado

Um alerta ao mundo civilizado

Na Câmara dos Lordes, em Londres, em 13 de setembro de 2018, o Rabino Lorde Jonathan Sacks proferiu o seguinte discurso alertando seus pares, o povo britânico e o mundo sobre os perigo do crescente antissemitismo na Europa e, muito especialmente no seio do Partido Trabalhista britânico:

Edição 103 - Abril de 2019

ISRAEL HOJE

Museu do Palmach, visita obrigatória

Museu do Palmach, visita obrigatória

Quem se interessa pela história da criação do Estado de Israel não pode deixar de visitar este museu, localizado em Ramat Aviv, subúrbio de Tel Aviv, que celebra a contribuição da organização para o surgimento do estado judeu.

Edição 103 - Abril de 2019

HOLOCAUSTO

Simcha Rotem, Codinome Kazik

Simcha Rotem, Codinome Kazik

Último combatente vivo do Levante do Gueto de Varsóvia, Simcha Rotem morreu em dezembro de 2018, aos 94 anos. Alma de guerreiro, lutou incansavelmente em inúmeras batalhas contra os inimigos de seu povo. Uma de suas missões mais importantes foi conseguir retirar do gueto, em chamas, os combatentes judeus ainda vivos. Sua atuação foi tão simbólica do espírito de heroísmo dos jovens judeus, que Claude Lanzmann o escolheu para a cena final de seu épico filme, “Shoah”.

Edição 103 - Abril de 2019

COMUNIDADES DA DIÁSPORA

Em busca de justiça para os judeus dos países árabes

Em busca de justiça para os judeus dos países árabes

A questão das compensações para os judeus que tiveram que deixar os países árabes é um dos pontos importantes a serem resolvidos na agenda do conflito árabe-israelense. Comunidades judaicas que existiam no mundo muçulmano, há mais de dois milênios, desapareceram depois que cerca de 900 mil judeus foram forçados a abandonar os países onde viviam, deixando para trás séculos de história e bilhões de dólares em patrimônio.

Edição 103 - Abril de 2019

VARIEDADES

Judeus britânicos e os desafios do Brexit

Judeus britânicos e os desafios do Brexit

Descrito como O “divórcio mais complexo da história”, o Brexit, saída do Reino Unido da União Europeia, provoca preocupações na comunidade judaica britânica, que, com cerca de 280 mil integrantes, corresponde à segunda maior da Europa, atrás somente da França.

Edição 103 - Abril de 2019

BRASIL

Kol Israel - A voz sionista na Amazônia

Kol Israel - A voz sionista na Amazônia

“Amazing!”, exclamou o professor Charles Berlin, diretor geral da seÇão de Judaica da Harvard University Library. Ele acabara de receber uma cópia do Kol Israel, o jornal sionista publicado em Belém do Pará há exatos 100 anos, uma das primeiras publicações do gênero no País.

Edição 103 - Abril de 2019

HISTÓRIA JUDAICA MODERNA

Um Estado Judeu na Austrália: 1907-1941

Um Estado Judeu na Austrália: 1907-1941

Em 16 de fevereiro de 1907, The Sydney Morning Herald noticiava: “Há territórios férteis desabitados ao Norte da Austrália, pontos mais vulneráveis e suscetíveis a ataques, ainda clamando por serem povoados. Os judeus poderão constituir-se num posto avançado de alerta”. Pela primeira vez cogitava-se a criação de lar judaico em terras australianas. O poeta Zechariah Choneh Bergner ou “Melech Ravitch”1, e, principalmente, Isaac Nachman Steinberg, retomariam essa ideia entre 1933-1939.

Edição 103 - Abril de 2019

HISTÓRIA DE ISRAEL

O Céu Era o Limite - Nasce a Força Aérea de Israel

O Céu Era o Limite - Nasce a Força Aérea de Israel

A Força Aérea de Israel nasceu no calor das mais inusitadas circunstâncias. Foi criada no mesmo dia da independência do país, em 14 de maio de 1948. Suas ações em combate, que contaram com voluntários vindos de diversos países, ignoraram planejamentos de guerra, treinamentos, manuais de manutenção de aeronaves, hierarquias, simulações de voos ou quaisquer regras rígidas.

Edição 103 - Abril de 2019

SHAVUOT

Shavuot: 10 Reflexões sobre o Estudo da Torá

Shavuot: 10 Reflexões sobre o Estudo da Torá

A festa de Shavuot, celebrada na Diáspora no 6o e 7o dias do mês judaico de Sivan, é o aniversário da Revelação Divina no Monte Sinai, que ocorreu 50 dias após o Êxodo do Egito. Pela primeira e única vez na História, D’us Se revelou publicamente – a todo o Povo Judeu, 600.000 homens e seus familiares – e proclamou os Asseret HaDibrot (Dez Pronunciamentos), comumente chamados de Dez Mandamentos.

Edição 103 - Abril de 2019

PÊSSACH

O Seder - 15 passos em direção à liberdade interna

O Seder - 15 passos em direção à liberdade interna

Uma das denominações de Pessach é Zman Cherutenu – Época de nossa Liberdade – porque a festa comemora a libertação do Povo Judeu da escravidão egípcia. Nossos Sábios ensinam que em Pessach, e em especial durante o Seder, cada um de nós, judeus, tem a oportunidade de conseguir libertar-se de seu acorrentamento interno, que impede o crescimento espiritual, psicológico e emocional. O Seder é uma reencenação pessoal e espiritual do Êxodo do Egito.

Edição 103 - Abril de 2019