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A relação entre profecia e destino é muito complexa. A profecia revela o “resultado final”, mas não explica os passos que devem ser tomados para fazer com que este resultado se realize. Se nada for feito, a profecia será adiada até o momento em que as ações necessárias para a sua concretização sejam realizadas.

No caso da profecia de Míriam, mesmo depois que Amram e Iocheved voltaram a se casar e do nascimento de Moisés, a vida do futuro libertador de Israel ainda estava em sério perigo.

Somente quando ela e seu povo são libertados do Egito é que Míriam então, com 86 anos, viu sua profecia se realizar. Após a milagrosa travessia, ela exulta em um canto de gratidão, um hino de louvor a D’us e naquele momento é chamada de profetisa.

A Torá não registra qualquer outra profecia de Míriam. Apenas em uma passagem ates-ta que D’us se comunicou tanto com Míriam como com Aarão: “Porventura somente com Moisés falou o Eterno? Certamente também conosco falou!“. (Números 12,2).

Esperando Miriam

Míriam, assim como qualquer ser humano, não era perfeita. Ousada nas palavras e nos atos é humana tanto em suas virtudes como em suas fraquezas. Míriam amava o irmão. Além de ter dons proféticos, era uma mulher bondosa, generosa, devotada a seus irmãos e a seu povo.E ela via Moisés muito só, isolado de seu povo. Ao saber que havia se separado fisicamente de sua esposa, Miriam procura Aarão preocupada. Diz-lhe que os patriarcas e outros profetas não se separavam das mulheres, por que então o faria Moisés?

Apesar de suas palavras não conterem malícia, mas apenas preocupação, o próprio Eterno repreende Aarão e Míriam duramente, afirmando que o nível de profecia de Moisés era diferente de todos os outros que o antecederam. Depois de receber a Torá no Monte Sinai, Moisés não poderia voltar a viver uma existência física e material.

Ramban observa que Míriam só murmurou discretamente para seu outro irmão e mesmo assim foi severamente punida por ter falado de Moisés: “E a nuvem retirou-se de sobre a tenda, e eis que Míriam estava leprosa, branca como a neve; e olhou Aarão a Míriam, e eis que estava leprosa” (Números 12,10).

Apesar de estar passando um dos momentos mais difíceis de sua vida, Moisés intercede pela irmã e pede a D’us que a cure. D’us concorda e ordena que Míriam permaneça sete dias fora do acampamento, isolada, mas afirma que Ele mesmo vai cuidar dela ”D’us a puniu, Ele a fez adoecer e Ele a sarou”.

“E Míriam foi deixada fora do acampamento, durante sete dias e o povo não partiu até ela ser recolhida” (Números 12:15). O povo, em lealdade profunda por sua líder, esperou por ela, assim como ela havia esperado na margem do rio Nilo para ver o que iria acontecer com o pequeno Moises.

No quadragésimo ano da saída, no mês de Nissan, no deserto em Cadesh, Míriam estava com 125 anos: “... e morreu ali Míriam, e foi sepultada ali” (Números 20,1). Uma morte sem dor concedida por D´us pelos seus grandes méritos. Logo após sua morte a Torá diz:

“... e a congregação já não tinha mais água” (Números 20:2). A fonte milagrosa que providenciara água sem interrupção durante 40 anos desaparece após sua morte. Os hebreus, sedentos, voltam a se queixar.

Rashi analisa o impacto da morte de Míriam sobre o irmão para tentar explicar os eventos que levam Moisés a não obedecer as Ordens Divinas. Segundo Rashi, a conexão entre Moisés e a irmã era muito forte, pois ela havia moldado sua vida. Ela sempre estivera a seu ao lado - vigiando-o enquanto criança e exultando e cantando com ele após a travessia do Mar Vermelho.

Mesmo nas horas mais difíceis, Míriam nunca perdeu as esperanças de que um dia Moisés libertaria Israel da escravidão. Foi ela quem tornou a redenção possível por nunca ter desistido de sua visão. Quando Míriam morre, Moisés sente-se perdido, exausto, incapaz de suportar pacientemente as queixas e lamú- rias de seu povo e não consegue controlar sua ira. E, então, comete o erro que faz com que não lhe seja permitido entrar na Terra de Israel.

Bibliografia:
Munk, Rabbi Elie, The Call of the Torah
Weissman, Rabbi Moshe,
The Midrash Says
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