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O principal mandamento Divino da festa de Chanucá é o acendimento da
Chanuquiá, uma Menorá de oito braços. Na primeira noite acende-se uma
vela; na segunda, duas; na terceira, três; e assim por diante. Este
aumento progressivo culmina com o acendimento de oito velas, na última
noite da festa.
A Chanuquiá representa a Menorá que era acesa no Templo Sagrado de
Jerusalém, e as luzes de Chanucá relembram dois milagres realizados
por D'us em prol de nossos antepassados, na época do Segundo Templo.
Por isso, ao acendê-la, é sempre preferível usar azeite de oliva virgem
em vez de velas, já que a Menorá do Templo era acesa diariamente com
azeite ritualmente puro.
O primeiro milagre, o menos destacado e, no entanto, o mais significativo,
foi a vitória militar dos Macabeus, um grupo de valentes guerreiros
judeus que se revoltaram contra as forças sírio-gregas do rei selêucida,
Antíoco IV, que então dominava a Terra de Israel, governando-a de forma
tirânica e cruel. O rei queria helenizar os judeus à força, extirpando
a prática do judaísmo. Como conseqüência da vitória dos Macabeus, o
Povo Judeu recuperou o Templo Sagrado de Jerusalém e re-inaugurou o
serviço Divino que nele era praticado. Mas, quando os judeus procuraram
azeite de oliva ritualmente puro para acender a Menorá, encontraram
apenas um pequeno frasco que tinha escapado à profanação dos gregos.
Os judeus perceberam que aquela quantidade de azeite não seria suficiente
para manter a Menorá acesa até que se produzisse mais quantidade. Não
obstante, decidiram acendê-la.
Foi quando ocorreu o segundo milagre: o azeite, que deveria durar um
dia apenas, manteve o candelabro aceso durante oito, tempo suficiente
para que mais azeite fosse produzido de acordo com as leis judaicas
de pureza ritual. Esse segundo milagre, certamente o mais enfatizado
na festa de Chanucá, foi um sinal Divino de que a vitória militar dos
Macabeus era feito do Eterno e de que o triunfo dos judeus sobre os
gregos fora um milagre.
Não fosse pelo milagre do azeite, poder-se-ia atribuir a vitória dos
Macabeus à sua bravura e às suas astutas táticas de guerrilha. A vitória
dos judeus sobre os gregos constaria nos livros de História como uma
espécie de Guerra do Vietnã, durante a qual guerreiros determinados
e dispostos ao auto-sacrifício foram capazes de derrotar uma superpotência
militar. Mas, para dissuadir qualquer dedução neste sentido, a Providência
Divina determinou que o pequeno frasco de azeite queimasse durante oito
dias.
Mas aqui surge a pergunta: por que o azeite queimou durante oito dias,
e não dez ou mais? Se tivesse durado mais tempo, o milagre teria sido
considerado maior ainda. A resposta é que, no judaísmo, o número oito
é extremamente significativo. O número sete representa o ciclo natural:
são sete os dias da semana. Já o número oito simboliza o que está acima
da natureza, ou seja, o milagroso, o sobrenatural.
O pequeno frasco de azeite durou precisamente oito dias para que o
Povo Judeu compreendesse que fora D'us quem derrotara os gregos. Não
fosse por Sua Providência e Misericórdia, não haveria como os Macabeus
derrotarem os selêucidas, uma das superpotências militares da época,
e recapturarem o Templo - por mais valentes que fossem.
O fato do número oito representar a ligação sobrenatural que existe
entre D'us e o Povo de Israel explica a razão para que o Brit Milá,
a circuncisão, seja realizada no oitavo dia de nascimento de um menino
judeu. Como o próprio nome indica, o Brit Milá é uma aliança entre o
Criador e cada um dos Filhos de Israel. A circuncisão é feita no oitavo
dia porque simboliza que o vínculo entre D'us e o Povo Judeu transcende
a natureza e todas as suas limitações.
Em resumo, durante a festa de Chanucá, celebram-se dois milagres: a
vitória militar dos judeus e a queima do azeite durante oito dias. O
fenômeno sobrenatural de um pequeno frasco de azeite ter durado oito
dias foi um milagre por si só, mas também serviu ao propósito de revelar
que a vitória dos Macabeus foi milagrosa, e não fruto de sorte, bravura
ou táticas militares. Portanto, o principal mandamento da festa gira
em torno do acendimento de uma Menorá de oito braços. Há, porém, diferenças
entre a Menorá do Templo Sagrado e a Chanuquiá. A mais óbvia delas é
que a primeira tinha sete braços, enquanto a última tem oito. Mas apesar
das diferenças, uma não deixa de ser representação da outra. E, portanto,
para se adquirir um entendimento mais profundo e místico da festa de
Chanucá, faz-se necessário analisar a Menorá do Templo e o que representava.
A Menorá e as sete Sefirot da emoção
A Cabalá ensina que as sete lâmpadas da Menorá simbolizam as almas
dos sete Pastores do Povo de Israel. São eles os três Patriarcas - Avraham,
Itzhak e Yaacov - e quatro outras figuras centrais na história judaica:
Moshé, o maior de todos os profetas, que nos deu a Torá; Aharon, irmão
de Moshé e o primeiro Cohen Gadol, Sumo Sacerdote; Yossef HaTzadik,
filho de Jacob e Rachel; David, o maior rei na história judaica, que
fundou Jerusalém como capital eterna do Povo Judeu e estabeleceu as
fundações do Templo Sagrado.
Cada um desses sete homens personificou uma das Sefirot da emoção.
Estas são emanações Divinas que criam, controlam e influenciam toda
a existência. A Criação, em geral, e a alma humana, em particular, são
compostas das dez Sefirot: sete emocionais: Chessed (Bondade, Generosidade),
Guevurá (Severidade, Disciplina), Tiferet (Harmonia, Compaixão), Netzach
(Eternidade, Vitória), Hod (Esplendor, Humildade), Yessod (Fundamento,
Carisma) e Malchut (Realeza, Liderança); e três intelectuais, que são
Chochmá (Sabedoria), Biná (Compreensão) e Daat (Conhecimento). (V. Morashá
n0 29, 31 e 61).
Os sete Pastores e as Sefirot que personificam são tema de duas festas
judaicas: Sucot e Pessach. Ambas têm duração de sete dias, apesar de
mais um dia festivo ser observado por todos que vivem fora da Terra
de Israel. A Cabalá ensina que em cada um dos sete dias de Sucot, as
almas dos sete Pastores visitam todas as sucás. No primeiro dia da festa,
Avraham lidera os outros seis; na segunda noite, é Itzhak quem o faz;
na terceira é Yaacov; na quarta, Moshé; na quinta, Aharon; na sexta,
Yossef e, na sétima noite, é o Rei David. Esta ordem não é cronológica,
afinal, Yossef faleceu antes do nascimento de Moshé e Aharon. A ordenação
das Sefirot segue a Árvore da Vida da Cabalá. Em Pessach, não se convida
os Pastores para o Seder, mas se enfatiza as Sefirot que eles personificam,
pois a partir da segunda noite da festa, inicia-se a contagem diária
do Omer, que dura sete semanas e termina em Shavuot, quando celebramos
o recebimento da Torá. Cada uma dessas semanas é associada a uma das
sete Sefirot da emoção, que são tema central da contagem.
Mas, o que poucos sabem, é que as Sefirot emocionais também fazem parte
da festa de Chanucá, pois como explica a Cabalá, eram representadas
pelas sete lâmpadas da Menorá do Templo, acesa diariamente com azeite
de oliva.
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