A vela de D'us - ed.63 - Página1

NOSSAS LEIS
A vela de D'us


Foto Ilustrativa

Edição 63 - dezembro de 2008

"A alma do homem é a vela de D'us" (Provérbios, 20:27)

"Pois a mitzvá é a vela, e a Torá, a luz" (Provérbios, 6:23)

O principal mandamento Divino da festa de Chanucá é o acendimento da Chanuquiá, uma Menorá de oito braços. Na primeira noite acende-se uma vela; na segunda, duas; na terceira, três; e assim por diante. Este aumento progressivo culmina com o acendimento de oito velas, na última noite da festa.

A Chanuquiá representa a Menorá que era acesa no Templo Sagrado de Jerusalém, e as luzes de Chanucá relembram dois milagres realizados por D'us em prol de nossos antepassados, na época do Segundo Templo. Por isso, ao acendê-la, é sempre preferível usar azeite de oliva virgem em vez de velas, já que a Menorá do Templo era acesa diariamente com azeite ritualmente puro.

O primeiro milagre, o menos destacado e, no entanto, o mais significativo, foi a vitória militar dos Macabeus, um grupo de valentes guerreiros judeus que se revoltaram contra as forças sírio-gregas do rei selêucida, Antíoco IV, que então dominava a Terra de Israel, governando-a de forma tirânica e cruel. O rei queria helenizar os judeus à força, extirpando a prática do judaísmo. Como conseqüência da vitória dos Macabeus, o Povo Judeu recuperou o Templo Sagrado de Jerusalém e re-inaugurou o serviço Divino que nele era praticado. Mas, quando os judeus procuraram azeite de oliva ritualmente puro para acender a Menorá, encontraram apenas um pequeno frasco que tinha escapado à profanação dos gregos. Os judeus perceberam que aquela quantidade de azeite não seria suficiente para manter a Menorá acesa até que se produzisse mais quantidade. Não obstante, decidiram acendê-la.

Foi quando ocorreu o segundo milagre: o azeite, que deveria durar um dia apenas, manteve o candelabro aceso durante oito, tempo suficiente para que mais azeite fosse produzido de acordo com as leis judaicas de pureza ritual. Esse segundo milagre, certamente o mais enfatizado na festa de Chanucá, foi um sinal Divino de que a vitória militar dos Macabeus era feito do Eterno e de que o triunfo dos judeus sobre os gregos fora um milagre.

Não fosse pelo milagre do azeite, poder-se-ia atribuir a vitória dos Macabeus à sua bravura e às suas astutas táticas de guerrilha. A vitória dos judeus sobre os gregos constaria nos livros de História como uma espécie de Guerra do Vietnã, durante a qual guerreiros determinados e dispostos ao auto-sacrifício foram capazes de derrotar uma superpotência militar. Mas, para dissuadir qualquer dedução neste sentido, a Providência Divina determinou que o pequeno frasco de azeite queimasse durante oito dias.

Mas aqui surge a pergunta: por que o azeite queimou durante oito dias, e não dez ou mais? Se tivesse durado mais tempo, o milagre teria sido considerado maior ainda. A resposta é que, no judaísmo, o número oito é extremamente significativo. O número sete representa o ciclo natural: são sete os dias da semana. Já o número oito simboliza o que está acima da natureza, ou seja, o milagroso, o sobrenatural.

O pequeno frasco de azeite durou precisamente oito dias para que o Povo Judeu compreendesse que fora D'us quem derrotara os gregos. Não fosse por Sua Providência e Misericórdia, não haveria como os Macabeus derrotarem os selêucidas, uma das superpotências militares da época, e recapturarem o Templo - por mais valentes que fossem.

O fato do número oito representar a ligação sobrenatural que existe entre D'us e o Povo de Israel explica a razão para que o Brit Milá, a circuncisão, seja realizada no oitavo dia de nascimento de um menino judeu. Como o próprio nome indica, o Brit Milá é uma aliança entre o Criador e cada um dos Filhos de Israel. A circuncisão é feita no oitavo dia porque simboliza que o vínculo entre D'us e o Povo Judeu transcende a natureza e todas as suas limitações.

Em resumo, durante a festa de Chanucá, celebram-se dois milagres: a vitória militar dos judeus e a queima do azeite durante oito dias. O fenômeno sobrenatural de um pequeno frasco de azeite ter durado oito dias foi um milagre por si só, mas também serviu ao propósito de revelar que a vitória dos Macabeus foi milagrosa, e não fruto de sorte, bravura ou táticas militares. Portanto, o principal mandamento da festa gira em torno do acendimento de uma Menorá de oito braços. Há, porém, diferenças entre a Menorá do Templo Sagrado e a Chanuquiá. A mais óbvia delas é que a primeira tinha sete braços, enquanto a última tem oito. Mas apesar das diferenças, uma não deixa de ser representação da outra. E, portanto, para se adquirir um entendimento mais profundo e místico da festa de Chanucá, faz-se necessário analisar a Menorá do Templo e o que representava.

A Menorá e as sete Sefirot da emoção

A Cabalá ensina que as sete lâmpadas da Menorá simbolizam as almas dos sete Pastores do Povo de Israel. São eles os três Patriarcas - Avraham, Itzhak e Yaacov - e quatro outras figuras centrais na história judaica: Moshé, o maior de todos os profetas, que nos deu a Torá; Aharon, irmão de Moshé e o primeiro Cohen Gadol, Sumo Sacerdote; Yossef HaTzadik, filho de Jacob e Rachel; David, o maior rei na história judaica, que fundou Jerusalém como capital eterna do Povo Judeu e estabeleceu as fundações do Templo Sagrado.

Cada um desses sete homens personificou uma das Sefirot da emoção. Estas são emanações Divinas que criam, controlam e influenciam toda a existência. A Criação, em geral, e a alma humana, em particular, são compostas das dez Sefirot: sete emocionais: Chessed (Bondade, Generosidade), Guevurá (Severidade, Disciplina), Tiferet (Harmonia, Compaixão), Netzach (Eternidade, Vitória), Hod (Esplendor, Humildade), Yessod (Fundamento, Carisma) e Malchut (Realeza, Liderança); e três intelectuais, que são Chochmá (Sabedoria), Biná (Compreensão) e Daat (Conhecimento). (V. Morashá n0 29, 31 e 61).

Os sete Pastores e as Sefirot que personificam são tema de duas festas judaicas: Sucot e Pessach. Ambas têm duração de sete dias, apesar de mais um dia festivo ser observado por todos que vivem fora da Terra de Israel. A Cabalá ensina que em cada um dos sete dias de Sucot, as almas dos sete Pastores visitam todas as sucás. No primeiro dia da festa, Avraham lidera os outros seis; na segunda noite, é Itzhak quem o faz; na terceira é Yaacov; na quarta, Moshé; na quinta, Aharon; na sexta, Yossef e, na sétima noite, é o Rei David. Esta ordem não é cronológica, afinal, Yossef faleceu antes do nascimento de Moshé e Aharon. A ordenação das Sefirot segue a Árvore da Vida da Cabalá. Em Pessach, não se convida os Pastores para o Seder, mas se enfatiza as Sefirot que eles personificam, pois a partir da segunda noite da festa, inicia-se a contagem diária do Omer, que dura sete semanas e termina em Shavuot, quando celebramos o recebimento da Torá. Cada uma dessas semanas é associada a uma das sete Sefirot da emoção, que são tema central da contagem.

Mas, o que poucos sabem, é que as Sefirot emocionais também fazem parte da festa de Chanucá, pois como explica a Cabalá, eram representadas pelas sete lâmpadas da Menorá do Templo, acesa diariamente com azeite de oliva.

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