Estilo judaico de vestir - ed.61 - Página1
CAPA
Estilo judaico de vestir


Foto Ilustrativa

Edição 61 - julho de 2008

Desde o momento em que, no Jardim de Éden, o primeiro homem sentiu a necessidade de cobrir seu corpo, o ato de se vestir constitui verdadeiro guia para a elaboração de um retrato das diferentes sociedades, seus costumes, seus valores.

Analisando as vestimentas adotadas por um determinado povo ou grupo social, podemos diferenciar países de origem, épocas históricas, classes sociais, estado civil, bem como seus hábitos e sua forma de agir e pensar.

Para o Povo Judeu, as vestes sempre foram uma forma de manter sua identidade. No período bíblico, os profetas advertiam os judeus quando estes se afastavam de seus costumes, adotando a forma de vestir de outros povos. Em Pessach, lê-se na Hagadá que uma das razões para os hebreus terem sido salvos do Egito foi por não terem mudado seus trajes característicos durante os anos que ficaram em terras egípcias.

Se analisarmos o tipo de vestimenta usada em diferentes países e em momentos históricos, após a Grande Dispersão, no 1º século desta Era, quando os judeus são expulsos de sua Terra e forçados a viver como minoria no seio de uma sociedade maior, podemos discernir o nível de discriminação e perseguição a que eram submetidos, assim como o grau de inserção ou assimilação alcançado.

O judaísmo e as vestimentas

A história das vestimentas se inicia no momento em que o primeiro homem passa a ter consciência de sua nudez e sente a necessidade de cobrir seu corpo. Relata a Torá que antes de desobedecer a D'us comendo do fruto proibido, Adão e Eva viviam nus, no Jardim do Éden, sendo-lhes desconhecido o sentimento de vergonha. Mas, assim que pecaram e o mal passou a fazer parte de sua natureza, sentiram-se envergonhados e quiseram cobrir o corpo com folhas. Antes de expulsá-los do Jardim do Éden, D'us os veste com túnicas de pele de animais.

Pode-se deduzir a importância conferida pelo judaísmo às vestimentas através da afirmação da Mishná de que um judeu deve vestir-se de acordo com suas posses, mas deve alimentar-se abaixo das mesmas. Ademais, ensina nossa tradição que "A glória de D'us é o homem e a glória do homem é sua vestimenta" (Derech Eretz).

O judaísmo ensina que qualquer judeu - homem ou mulher - deve guardar a limpeza corporal e se vestir com recato. O sábio, em especial, tem que trajar roupas limpas e respeitáveis, pois se usar sapatos e roupas remendados estará trazendo vergonha à sua erudição (Tratado Shabat, 114a). Os líderes comunitários também devem usar roupas adequadas à sua posição na comunidade. O Talmud afirma que uma noiva tem um ano para preparar seu enxoval (Tratado Ketubot, 57a), e o marido tem a obrigação de dar à mulher anualmente, para as três Grandes Festas, um chapéu novo, um cinto, três pares de sapatos além de outras peças de vestimentas (ibid, 64b).

Mas, alerta o Talmud, é preciso cautela para não julgar uma pessoa apenas por sua aparência, pois nem sempre as roupas definem quem as usa. A própria grafia hebraica da palavra roupa, begued, alerta para isso; pois, com as letras Bet, Guimel e Dalet forma-se, também, a raiz da palavra bagod, que significa "trair".

Na Torá há algumas leis sobre o tipo de vestimentas que os judeus devem, ou não, usar. Um dos princípios básicos é que os homens são proibidos de usar roupas femininas, assim como as mulheres de se vestir como homem.

Entre as peças de vestuário masculino está o tsitsit, que, em hebraico, significa franja. A Torá exige que todo homem judeu use franjas - tsitsit - nos cantos de peças de vestuário que tenham quatro pontas (Números, 15: 37-41). Este mandamento é repetido todas as vezes que recitamos a oração do "Shemá". Os tsitsit são usados todos os dias como lembrete ao judeu dos demais Mandamentos Divinos.

Este preceito é observado através do uso do talit catan - o talit pequeno - também chamado de "tsitsit", usado diariamente debaixo da camisa, e do talit gadol, conhecido apenas como "talit". Este último é o xale ritual no qual os homens se envolvem ao recitar as orações matinais e em outros ofícios religiosos e que acompanha o homem judeu ao longo de sua vida. Durante a cerimônia do casamento, recobre os noivos para a bênção nupcial e, muitas vezes, acompanha o homem também em sua morte, sendo usado como mortalha. Suas dimensões variam, assim como os tecidos e tonalidades em que são confeccionados e os bordados com que são ornados.

Outra determinação bíblica sobre as vestimentas é a proibição do uso de roupa que contenha mistura de lã e linho - shaatnez, em hebraico. Só o Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote, quando oficiava no Templo Sagrado de Jerusalém, podia trajar-se com essa mistura de tecidos. Este mandamento da Torá é um dos decretos supra-racionais, chukim em hebraico, incompreensíveis para a mente humana. O Talmud, no entanto, oferece várias interpretações; uma delas é relacionada à história de Caim e Abel e às respectivas oferendas que levaram a D'us. O primeiro era agricultor e levou plantas que dão o linho, enquanto Abel, que era pastor, levou ovelhas, de cujo pêlo se obtém a lã. Segundo a Cabalá, assim como estes dois filhos de Adão representavam forças espirituais opostas, que devem ser mantidas separadas, suas oferendas também não se devem mesclar.

Outra obrigação do homem judeu é cobrir a cabeça, principalmente durante as orações, bênçãos, dentro da sinagoga ou de outro recinto sagrado. Esta obrigação não provém de nenhuma injunção bíblica, é um sinal de reverência a D'us (Trat. Shabat, 156b), uma forma de reconhecer que há Alguém acima de nós.

O costume pode ter-se iniciado na época do Templo Sagrado de Jerusalém, pois os Cohanim usavam um turbante enquanto oficiavam os serviços religiosos. Mas, sabe-se que na época talmúdica, todos os sábios cobriam a cabeça. Inúmeras fontes revelam que havia aqueles que não davam mais de quatro passos com a cabeça descoberta, "pois a Presença Divina paira sempre sobre a cabeça" (Tratados Shabat, 118b e Kidushin, 31a). O costume pode ter-se iniciado na época do Templo Sagrado de Jerusalém, pois os Cohanim usavam um turbante enquanto oficiavam os serviços religiosos. Mas, sabe-se que na época talmúdica, todos os sábios cobriam a cabeça. Inúmeras fontes revelam que havia aqueles que não davam mais de quatro passos com a cabeça descoberta, "pois a Presença Divina paira sempre sobre a cabeça" (Tratados Shabat, 118b e Kidushin, 31a).

Nas gerações seguintes, o costume foi adotado por todos os judeus, principalmente durante as orações. Como no judaísmo, quando um costume se torna prática universalmente aceita, este adquire característica de lei, assim, o que era um sinal de fervor e respeito se transformou em um mandamento. Apesar de se poder usar qualquer tipo de chapéu para cobrir a cabeça, é costume usar a kipá, nome hebraico do pequeno solidéu tradicional, em iídiche yarmulke ou képele. Atualmente, pode-se reconhecer a que grupo religioso um judeu pertence pelo tipo de chapéu ou kipá usado.

As mulheres, desde a época bíblica, cobrem a cabeça em público após o casamento, já que não é permitido a uma mulher casada mostrar seus cabelos, a não ser para o marido. O tipo de véu ou chapéu variou de acordo com a época e a sociedade. Hoje, por exemplo, há mulheres que cobrem o cabelo com chapéus e outras, com belas perucas.

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