A Chama do judaísmo - ed.51 - Página1

NOSSAS FESTAS:
A Chama do judaísmo
por Rabino David Goldberg


Foto Ilustrativa


A história de Chanucá remonta a uma época muito anterior ao milagre do frasco de óleo.

 

Edição 51 - dezembro de 2005

Inicia-se quando Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, após conquistar seu grande império, leva a seus domínios a cultura e o idioma grego, assentando assim as bases da civilização helenística. Este fato provocou uma mudança fundamental na cultura mundial. Educado por Aristóteles, filósofo grego, Alexandre almejava criar uma cultura "globalizada". Na época, a cultura grega era sinônimo de progresso. Os pensadores gregos desenvolviam a filosofia, as ciências naturais, as artes plásticas e o culto ao corpo. Fazer com que essa cultura fosse assimilada pelas nações não era tarefa difícil. Frente à cultura decadente e retrógrada do mundo antigo, despontava a cultura helenista que rompia com os grilhões de diversos tipos de opressão - e isto, encantava a todos os povos. Quando no ano de 323 aEC, com apenas 33 anos, Alexandre morreu, seu império começou a desmoronar e foi dividido entre seus generais. Dois deles ficaram com a parte oriental: Talmai (Ptolomeu I), fundador da Dinastia Ptolomaica, com o Egito; Salvacos (Seleucos I), fundador da Dinastia Selêucida, com a região da Síria, Iraque, Pérsia, Afeganistão, Paquistão e partes da Índia. A estratégica Terra de Israel, cobiçada por egípcios e selêucidas, troca várias vezes de mãos. Durante os primeiros 100 anos, ficou sob domínio egípcio e, no final do século II a. E.C., passou para domínio selêucida, contra o qual os judeus empreenderiam uma revolta. Contudo, a cultura helenista, predominante nos dois reinos, consolidava-se, sendo as únicas exceções a esse processo Jerusalém e o reino de Yehudá, cujos habitantes se recusavam a adotá-la.

Enquanto Israel estava sob domínio de Ptolomeu II, era permitido aos judeus viver de acordo com sua fé. O próprio rei considerava a Torá um patrimônio cultural e obrigara setenta e dois sábios judeus a traduzi-la ao grego. Esta famosa tradução ficou conhecida como Septuaginta. Os Sábios de Israel, no entanto, temiam - com razão - essa excessiva aproximação.

Paulatinamente, entre os judeus, o movimento de assimilação começa a tomar forma, com a crescente adoção de hábitos gregos. A nova cultura atraía, em particular, jovens afastados de suas raízes, ludibriados por sua beleza externa e sua pseudo-liberdade moral e cultural. Com o tempo, o helenismo conquista mais adeptos - entre os quais, membros da aristocracia judaica. Contudo, em sua maioria, o povo judeu permaneceu fiel à fé de seus antepassados. Quando sobe ao poder o rei selêucida, Antíoco IV, piora sensivelmente a situação dos judeus. O monarca estava determinado a dobrar os habitante da Terra de Israel, que se mostravam irredutíveis em não aceitar a cultura grega. Num primeiro momento, Antíoco instalou uma guarnição militar em Jerusalém para facilitar suas manobras. Em seguida, depôs do cargo Chonyo, o Sumo Sacerdote, nomeando, em seu lugar, Yeshua (Yassun), que abraçara os costumes gregos e helenizara seu nome para Jasão. Contudo, também este é afastado do cargo, sendo substituído por Manalaus, mais assimilado, ainda, à cultura grega. Grandes ginásios foram erguidos em Jerusalém, que se tornou uma cidade helênica. Esta cultura irradiava; seus partidários judeus recebiam dos selêucidas todo o respaldo necessário. Os judeus assimilados viam a Torá e as mitsvot como obsoletas e destituídas de valor. Acreditavam que, ao incorporar valores e idéias gregas, seriam os pioneiros do progresso e, a seus olhos, eram retrógrados e fanáticos aqueles que se mantinham fiéis à Torá.

Aconselhado por seus assessores, Antíoco compreende que não conseguiria abalar os alicerces do espírito judaico a não ser que atacasse diretamente sua fonte - a própria religião judaica. Para tanto, proclamou leis que proibiam, entre outros, o estudo da Torá, a observância do Shabat, a circuncisão e as oferendas no Templo. Porém, de forma paradoxal, esses decretos fortaleceram o ânimo judaico e acabam sendo o estopim de uma revolta armada.

A revolta iniciou-se em Modiín, vilarejo onde vivia uma família de Cohanim - os Chashmonaím. Seu líder, Matitiahu, era pai de cinco filhos: Shimon; Yehudá, o Macabeu; Elazar; Yochanan e Yonatan. A revolta explodiu quando um grupo de gregos reuniu os habitantes do vilarejo na praça onde fora erguido um altar com ídolos. O general grego exigiu que Yochanan fizesse oferendas naquele lugar. Este, porém, recusou-se veementemente e sua atitude fez irromper a revolta. Antíoco e seus exércitos eram muito poderosos - o que, no entanto, não impediu os judeus de lutarem com fé para manter sua liberdade religiosa. No decorrer da guerra, falece Matitiahu, já avançado nos anos, sendo seu filho, Yehudá, ha-Macabi, nomeado general.Tendo que lutar contra um inimigo poderoso, este último adota a estratégia de guerrilhas, que consistia em ataques-surpresa contra o inimigo. Com isso, os Chashmonaím lograram vitórias, e, em toda a Judéia, elevou-se a moral nos povoados judaicos. Muitos se uniram ao exército de Yehudá. Travavam-se batalhas corpo-a-corpo e, em todas, ele e seus comandados sentiam a constante Mão de D'us a guiá-los.

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